Campina das Missões

A colonização do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul e mais precisamente da região que atualmente compreende a microrregião do Grande Santa Rosa, integrou o plano político do então Governador Borges de Medeiros que, promovendo a criação de novas colônias, objetivava a ocupação definitiva do Estado. A preocupação do Governo era de impedir a formação de grupos da mesma etnia que conservassem em seu seio os padrões culturais do país de origem, o que representava um empecilho à integração.
Aliado a essa razão, verificou-se concomitantemente o esgotamento das fronteiras agrícolas das antigas zonas de colonização do Estado. Essas, portadoras de características próprias da colonização europeia, com predomínio da pequena propriedade, em função da proliferação dos descendentes, estavam no final do século passado, horizontalmente ocupadas, fazendo com que a busca de novas fronteiras agrícolas se impusesse como solução irremediável.
A constatação de que as terras localizadas ao Norte do Rio Comandaí estavam sendo ocupadas desordenadamente por levas de imigrantes oriundos de novas colônias, como a de Serro Azul, levou o Governo Estadual, a idealizar a colonização da região. Após a medição oficial, a conceituação e o registro legal dessas terras nos anais do Governo do Estado.
Por volta do ano de 1909, um verdejante descampado rodeado de mata virgem, imediatamente chamado “CAMPINA”, recebia sua primeira construção, destinada a servir de Centro Administrativo e coordenação da imigração.
Propalado no país e no exterior com promessas paradisíacas anunciadas pela palavra milagrosa dos agentes, o projeto de colonização da região chamou a atenção, primeiramente dos eslavos que, sedentos de riquezas, abandonaram suas aldeias e lavouras e, em levas, foram em busca da terra prometida. Mas ao invés das riquezas prometidas, encontraram a rudeza do clima, a selva agreste e a necessidade de colonizar e cultivar terras estranhas, com matas virgens a que não estavam habituados. Muitos nem sequer conheciam os rudimentares princípios do cultivo da terra, uma vez que, em sua pátria-mãe estavam acostumados a outras atividades e profissões. Provindos, em sua maioria de regiões de clima frio, o clima tropical e o meio agreste constituíam mudanças muito bruscas, fazendo com que poucos conseguissem se adaptar a nova realidade. As doenças, a falta de recursos, as dificuldades para dominar a natureza em estado primitivo, exigindo a derrubada das matas, constituíam-se em adversidades que fizeram esmorecer a força dos pioneiros e foram os responsáveis pela frustração quase total dessa primeira tentativa de colonização programada. A grande maioria desses pioneiros, quando possuía recursos ou quando os conseguia através da venda de suas terras a imigrantes alemães vindos em número cada vez maior das “Colônias Velhas”, abandonou a região emigrando para a vizinha República Argentina ou retornando à Pátria de origem. Os menos afortunados, sem condições de abandonar a região, permaneceram circundados pelos novos colonos que, de pronto, com seus costumes, suas tradições e formas de produção, não só divergentes mas até antagônicas, impuseram um novo padrão cultural, determinando e imprimindo as marcas germânicas na novel colônia.
Os têutos, já ambientados com a dureza da colonização experimentada na “Colônia Velha” donde vieram, tiveram maiores chances de êxito pois que, além dos víveres essenciais à sobrevivência, faziam-se acompanhar de sementes e mudas de plantações, ferramentas para o trabalho, roupas e equipamentos domésticos.
Chegados ao destino, instalavam-se em modestas casas construídas às pressas e começavam a desbravar o universo virgem que os circundava. A partir daí o incipiente núcleo passou a crescer com relativa rapidez. Os primeiros casebres foram dando lugar a casas de madeira, artesanalmente acabadas. A par da infraestrutura que o colono implantava em sua propriedade, celeremente foi surgindo também um pequeno centro.
Inicialmente surgiram dois núcleos: um onde hoje se localiza a Esquina Campina e outro no atual centro urbano.
O advento de cada vez mais colonizadores alemães imprimiu um ritmo tão acelerado no desenvolvimento de Campina que, transcorrida não bem meia década, isto é, em 1919, tornou-se sede própria e no ano subsequente, foi elevada à categoria de 9º Distrito de Santo Ângelo. Bem antes a sede já dispunha de diversas pequenas indústrias como serraria, moinho, selaria, cervejaria, fábrica de refrigerantes, atafona, alambique, curtume, sapataria, além de casas comerciais, salão de baile, cartório, ou seja, o essencial para crescer cada vez mais. Ao ser elevada a distrito, a localidade já dispunha de ligação telefônica com Santo Ângelo, energia elétrica na sede, departamento de Correios e Telégrafos e Cartório Distrital.
Na colônia as matas davam lugar a lavouras cada vez maiores, cultivando- se além dos produtos de subsistência, alimentos necessários a criação de animais, especialmente suínos para o abate. Os excedentes, principalmente a banha extraída dos suínos, eram escoadas por precárias rodovias, em veículos de tração animal e comercializados em Santo Ângelo e Ijuí.
Com a emancipação política do Município de Santa Rosa em 1931, Campina passou a figurar como 5º Distrito da nova Comuna. Destacava-se como um dos Distritos mais populosos e ricos. Possuía uma boa rede de estradas e o comércio e a indústria estavam em pleno florescimento. A agricultura assegurava altos índices de produtividade, destacando-se o milho, a mandioca, o fumo, a batata, a alfafa, a cana-de-açúcar além da criação de suínos, gado e aves.
Ao longo dos anos de subordinação político-administrativa, o Distrito de Campina, apesar de sua pujança, ficou no esquecimento. As rodovias, sempre em estado precaríssimo e os investimentos cada vez mais escassos, cansaram o povo. Surgiu então a ideia de emancipação. Constituiu-se uma Comissão e deu-se início a uma acirrada campanha coroada de êxito em 25 de agosto de 1963, quando, em plebiscito, o povo proclamou a independência. A 09 de outubro de 1963, pela Lei nº 4.580, foi criado e em 25 de janeiro de 1964 foi instalado o Município de Campina das Missões.